24 de maio de 2013

Setembro


























3 da manhã. O prazer da tristeza, que sempre me foi tão querido, nunca me deu tanta satisfação à alma como o gozo de ser insone, justificado por pensamentos. Várias pessoas dormindo, algumas tomando café da manhã, muitas na China e eu aqui, olhando pra você. Já decorei toda a curva que o seu rosto faz, sorrindo, imaginei todas as voltas das suas costas, dos seus ombros, do seu cabelo, do seu peito e do tornozelo. E é tão bom admirar, como um animal selvagem vigiando a presa, zelando o sono até que a mesma acorde para a boca. Não, nem o batalhão de fantasmas que me assombravam, me dava tanto calor. E eram muitos, intensos e fortes. Só que outra pessoa é mais. Eles nunca me jogaram na parede e, veja você. Com tanto desdém, me olha e me beija. Rouba todo o conhecimento que eu tenho sobre nada, me olha e me beija. É certo que faz isso com uma certa frequência, em outros lábios, mas é tão bom como o seu dente entra na minha língua e grita, arremessa, pede pra ficar. Quando o sol não nasce, quando eu tenho vertigem, quando sou moça feliz na França, nada disso tem importância se eu olho e se você me beija. É por isso que gosto tanto deles nada abreviados, porque em verdade em verdade, eles não nos abrevia, eles nos engrandece. Portanto, depois de te perdoar, eu agradeço. Em Beijos.

23 de maio de 2013

Seems to be the hardest word
















Eu não consigo me despedir. Eu tentei, juro que eu tentei, mas não deu. 7. Pensar neste número que tanto amo como os meses que se passaram desde aquele dia, faz meu coração querer sair pela pele e explodir por cima do peito, exatamente como aconteceu com você. E eu sei que você me lê, claro que lê. Você não me deixa em paz. Fala, respira, grita, anda, tudo faz ao meu redor e eu não aguento mais. Não aguento mais sua presença, não aguento mais sentir saudade. Chega - e eu canto isso há muito tempo, mas nunca pedi pra entender a letra. Sim, agora você pode me entender. Não há remédios, não há dor, não há pranto, não há salvação da vida, porque ela ainda te persegue. Tantas promessas de paz, lembra? Tantos sonhos. O altar. Por que não me deixa entrar sozinha? Por que quer participar da minha alma? Eu te fiz alguma coisa? Me diz! Eu só nasci, pai. E você... Bom, você morreu. 

23 de novembro de 2012

Sail to me, sail to me...

(here)

James Joyce asks us what we did in World War II, while he was writing Ulysses. In the Second World War I slept and in my dreams I expected to be born in Dublin, but I got here in Brazil.

Why Ireland? It is difficult to explain the obvious because it is so simple. It's the smell.

Morrissey says, he is Irish blood and English heart, but I feel Irish blood and Irish heart.

Each country in Europe has a bit of what would be the perfect honeymoon, but only Ireland knows how to pick up the pieces thrown to the ground and collect in one place.

I've found my soul mate and my place mate. And my love goes beyond the laws of physics.

I just quench my thirst in the Liffey,
and like the river empties into the sea, I will always return to Dublin to find me. As you did.

Yes, I will Yes.


17 de setembro de 2012

Reverie and Invocation





































[You Only Live Once, 1937]

Whether the rain comes down
or there be sunny days
the sleets of January or the haze
of autumn afternoons, when
we dream of our youth our gaze
grows mellow, wise man or fool,
we were young, the future
beckoned us.

Now we grow old and grey
and all we knew is forgotten
there comes alive in
the ash of today, memory! a god
who revives us! the apple trees
we climbed as a boy
the caress on our necks of
a summer breeze.

Come back and give us
those days when passion drove us
to break every rule.
We weren't bad, but good!
May our preachers find us
the courage still to sin so
and win so! and win so!
a life everlasting.

(William Carlos Williams - September 17, 1883)

27 de agosto de 2012

Em Nome da Terra

"Vou deitar-te na eternidade, que é esse o teu lugar, é esse, é esse. E agora só tenho que te amar tudo de ti, não deixar nada de fora. Porque, sabê-lo-ás? Nunca ninguém amou completamente, houve sempre uma forma de amar fragmentária, parcial. Amou-se sempre em função de uma fracção do amor como se usou um vestuário segundo a moda, desde o calção ou o penante de plumas. Vou-te amar como Deus. Não, não. Deus não sente prazer nem movimento progressivo até ao prazer, coitado, é tão infeliz. Vou-te amar como um homem desde que os há, desde o tempo das cavernas até hoje e com um pequeno suplemento que é só meu."

(Vergílio Ferreira)

28 de julho de 2012

Odysseus’s Secret

[...]

Odysseus boarded that Phaeacian ship, suddenly tired
of the road’s dangerous enchantments,
and sailed through storm and wild sea
as if his beloved were all that ever mattered.

(Stephen Dunn in: Different Hours)

אשתי מביטה בי / My Wife Watches Me

אֲנִי יָשֵׁן.
אִשְׁתִּי מַבִּיטָה בִּי
אֲנִי חָשׁ בְּעֵינֵיהָ הַסּוֹרְקוֹת
אֶת רֹאשִׁי הַקֵּרֵחַ,
בּוֹחֲנוֹת אֶת הַכְּתָמִים הַחוּמִים
תַּאֲרִיךְ תְּפוּגָה
שֶׁהֶחְתִּים וְהִטְבִּיעַ הַזְּמַן.


אֲנִי יָשֵׁן
לִבִּי עֵר, אוֹרֵב לְאִשְׁתִּי
בִּקְצֵה הַשֵּׁנָה מַמְתִּין
לִפְסַק הַדִּין שֶׁל עֵינֵיהָּ.
וְרַק לְאַחַר שֶׁשָּׁמַע אֲנָחָה
שֶׁאֵין בָּהּ כְּאֵב
וְלֹא חֲרָטָה
רָק שֶׁבֶר רוֹעֵד שֶׁל עֶרְגָּה


נִרְדָּם גַּם לִבִּי
וְנִרְגָּע.



I’m asleep.
My wife watches me
I feel her eyes scanning
My balding head
Examining the brown blemishes
The date of expiration
Stamped by time.

I sleep
But my heart wakes, waylaying my wife
Waiting at the edge of sleep
For the verdict of her eyes.
And only after it hears a sigh
A sigh of no pain
And without regret
Just a quiver of wistful desire

My heart, too, subsides
And slumbers.

(Giora Fisher, traduzido por Haim Watzman)

24 de julho de 2012

A brusca poesia da mulher amada (III)

[Waterhouse]

Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a
bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco
quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!

(Vinicius de Moraes, Rio de Janeiro, 1950)

13 de julho de 2012

Vinte e cinco





































[Alice In Chains - Gregg Gordon]

Haverá um dia em que a minha velhice se contentará em apenas ler os clássicos e comentar a inocência dos pressentimentos (doenças, sustos, vai chover mais tarde?). A máscara da noite não mais arruinará os meus cílios e o dourado desbotado do cordão não me incomodará. As janelas permanecerão abertas, caso algum mosquito venha se coçar e as paredes terão a cor da massa. O meu agosto não será ousado, nem o meu setembro. Terei a aflição do neto e pedirei a você, que troque a lâmpada. O corpo continuará branco, apesar de o pensamento projetar o azul. No escuro, o lábio será igual. A nossa carne vibrará como novenas e os sonhos chegarão com café na minha boca (só na minha, porque você não gosta de sonho com café, você gosta de sonho e depois o café). Tudo de agora vai mudar, menos o meu cabelo. O meu cabelo tem que acompanhar a rua ignorada, tem que te acordar todas as manhãs. E quando eu tiver na idade de uns 96 anos, eu vou pedir que me dê a mão. E nós iremos cair na água, na lágrima germinada e no apelo das maçãs. Deitaremos no mato, morreremos de picada de formiga. Então um pássaro vai viver pra contar.

(Quis o céu que meu futuro fosse assim. E foi. Aguardo.)

24 de junho de 2012

Ithaca




















[Ithaca, Greece]

When you set out on your journey to Ithaca,
pray that the road is long,
full of adventure, full of knowledge.
The Lestrygonians and the Cyclops,
the angry Poseidon -- do not fear them:
You will never find such as these on your path,
if your thoughts remain lofty, if a fine
emotion touches your spirit and your body.
The Lestrygonians and the Cyclops,
the fierce Poseidon you will never encounter,
if you do not carry them within your soul,
if your soul does not set them up before you.

Pray that the road is long.
That the summer mornings are many, when,
with such pleasure, with such joy
you will enter ports seen for the first time;
stop at Phoenician markets,
and purchase fine merchandise,
mother-of-pearl and coral, amber and ebony,
and sensual perfumes of all kinds,
as many sensual perfumes as you can;
visit many Egyptian cities,
to learn and learn from scholars.

Always keep Ithaca in your mind.
To arrive there is your ultimate goal.
But do not hurry the voyage at all.
It is better to let it last for many years;
and to anchor at the island when you are old,
rich with all you have gained on the way,
not expecting that Ithaca will offer you riches.

Ithaca has given you the beautiful voyage.
Without her you would have never set out on the road.
She has nothing more to give you.

And if you find her poor, Ithaca has not deceived you.
Wise as you have become, with so much experience,
you must already have understood what Ithacas mean.

(Constantine P. Cavafy, 1911)

When I heard at the close of the day / Quando ouvi ao final do dia

























When I heard at the close of the day how my name had been
receiv’d with plaudits in the capitol, still it was not a
happy night for me that follow’d;
And else, when I carous’d, or when my plans were accomplish’d,
still I was not happy;
But the day when I rose at dawn from the bed of perfect health,
refresh’d, singing, inhaling the ripe breath of autumn,
When I saw the full moon in the west grow pale and disappear
in the morning light,
When I wander’d alone over the beach, and undressing, bathed,
laughing with the cool waters, and saw the sun rise,
And when I thought how my dear friend, my lover, was on his
way coming, O then I was happy;
O then each breath tasted sweeter – and all that day my food
nourish’d me more – and the beautiful day pass’d well,
And the next came with equal joy – and with the next, at evening,
came my friend;
And that night, while all was still, I heard the waters roll
slowly continually up the shores,
I heard the hissing rustle of the liquid and sands, as directed to
me, whispering, to congratulate me,
For the one I love most lay sleeping by me under the same cover
in the cool night,
In the stillness, in the autumn moonbeams, his face was inclined
toward me,
And his arm lay lightly around my breast – and that night I
was happy.


***


Quando ouvi, pelo fim do dia, como o meu nome havia sido
recebido com aplausos no Capitólio, ainda assim não foi
feliz para mim, a noite que se seguiu;
E, quando festejei, ou, quando os meus planos foram atingidos,
assim mesmo não me senti feliz;
Mas, no dia em que cedo me levantei, de perfeita saúde,
renovado, cantando, inalando o maduro fôlego outonal,
Quando vi a lua cheia, a oeste, ficando pálida e a desaparecer
na luz da manhã,
Quando vagueei sozinho sobre a praia e, despindo-me, me banhei,
rindo com as águas frias, e vi o sol nascer,
E quando pensei em como o meu querido amigo, o meu amante, estava a
caminho, Oh, então senti-me feliz;
Então, cada fôlego me foi mais doce – e todo o dia, meu alimento
me nutriu mais – e o belo dia passou bem,
E o seguinte chegou com igual alegria – e com o próximo, pelo fim da tarde,
chegou o meu amigo;
Naquela noite, quanto tudo estava calmo, ouvi as águas rolar
continuamente, lentas sobre as margens,
Ouvi o assobio sussurrado do líquido e das areias, como que dirigindo-se a
mim, cochichando, felicitando-me,
Porque aquele que amo dormia comigo sob a mesma coberta
na noite fria,
No sossego, nos outonais raios de luar, seu rosto inclinado
sobre mim,
Seu braço em redor do meu peito, suavemente – e naquela noite
fui feliz.


(Walt Whitman)

16 de junho de 2012

Bloomsday in: Love

[here you can imagine a picture of a beautiful smile of a beautiful couple in a beautiful day]

 "Love laughs at locksmiths. She would make the great sacrifice. Her every effort would be to share his thoughts. Dearer than the whole world would she be to him and gild his days with happiness."

(James Joyce in: Ulysses)

15 de junho de 2012

O Sol


























[A lua & O sol:  Isolde w/ Tristan]


A Lua tinha
uma trança longa e negra
e dormia na cama
junto à minha
debaixo da janela.
Era asmática a Lua
e o ar da noite fria
o ar todo ao redor
não era suficiente
para ela.
Eu ia buscar-lhe água,
os pés descalços
sobre os azulejos
nos corredores cheios
de fantasmas,
e ela se debruçava
sobre o copo
sorvendo lentos goles
de via-láctea.
Mas só com a chegada
da manhã
quando tocava o sino da capela
cessava a asma.
A luz branca se punha
sob a pele
e vinha então o sol
tomar-lhe a boca.

(Marina Colasanti in: No Dormitório do Colégio Interno)

1


O tempo da vida é um sujeito danado de ruim, ele não presta pros homens. A gente vai lembrando, lembrando, dá aquela dorzinha fincada do peito, uma vontade de ir lá outra vez, ouvir aquele passaredo correndo pelo céu e nós dois correndo atrás dele, depois pulando naquela lagoa do olho azul... A natureza é um trem bonito demais da conta, não é mesmo? Dá cada memória boa na gente. Aqui em casa eles costumam dizer que eu não nasci pra humano e acho que eles tão é certo.


O que você acha, Riobaldo?

11 de junho de 2012

Seus Olhos


Oh! rouvre tes grands yeux dont la paupière tremble,
Tes yeux pleins de langueur;
Leur regard est si beau quand nous sommes ememble!
Rouvre-les; ce regard manque à ma vie, il semble
Que tufermes ton coeur.

(Turquety)


Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;


Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,


Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.


São meigos infantes, brincando, saltando
Em jogo infantil,
Inquietos, travessos; — causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.


Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranqüilos,
Às vezes vulcão!


Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto umedece
Me fazem chorar.


Assim lindo infante, que dorme tranqüilo,
Desperta a chorar;
E mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa — a pensar.


Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu
Cai doce harmonia duma Harpa celeste,
Um vago desejo; e a mente se veste
De pranto co'um véu.


Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.


Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.


Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.

(Gonçalves Dias in: Primeiros Cantos, 1846)



5 de junho de 2012

Love's Growth























[Amelia Bauerle - Song of the sea]

I SCARCE believe my love to be so pure
As I had thought it was,
Because it doth endure
Vicissitude, and season, as the grass ;
Methinks I lied all winter, when I swore
My love was infinite, if spring make it more.

But if this medicine, love, which cures all sorrow
With more, not only be no quintessence,
But mix'd of all stuffs, vexing soul, or sense,
And of the sun his active vigour borrow,
Love’s not so pure, and abstract as they use
To say, which have no mistress but their Muse ;
But as all else, being elemented too,
Love sometimes would contemplate, sometimes do.

And yet no greater, but more eminent,
Love by the spring is grown ;
As in the firmament
Stars by the sun are not enlarged, but shown,
Gentle love deeds, as blossoms on a bough,
From love's awakened root do bud out now.

If, as in water stirr'd more circles be
Produced by one, love such additions take,
Those like so many spheres but one heaven make,
For they are all concentric unto thee ;
And though each spring do add to love new heat,
As princes do in times of action get
New taxes, and remit them not in peace,
No winter shall abate this spring’s increase.

(John Donne in: Poems of John Donne. vol I. )


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And we will Yes



COME live with me, and be my love;
And we will all the pleasures prove
That hills and valleys, dales and fields,
Woods, or steepy mountain yields.

And we will sit upon the rocks,
Seeing the shepherds feed their flocks
By shallow rivers, to whose falls
Melodious birds sing madrigals.

And I will make thee beds of roses
And a thousand fragrant posies;
A cap of flowers, and a kirtle
Embroidered all with leaves of myrtle;

A gown made of the finest wool
Which from our pretty lambs we pull;
Fair-lined slippers for the cold,
With buckles of the purest gold;

A belt of straw and ivy-buds,
With coral clasps and amber-studs:
And if these pleasures may thee move,
Come live with me, and be my love.

The shepherd-swains shall dance and sing
For thy delight each May-morning:
If these delights thy mind may move,
Then live with me and be my love.

(Christopher Marlowe in: The Passionate Shepherd to His Love)


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3 de junho de 2012

Talvez a mais poderosa de todas as forças antipolíticas humanas





































[Couple at Yellowstone - Alfred Eisenstaedt]

"O amor, em virtude de sua paixão, destrói o ‘entre’, esse espaço que nos relaciona com outros e nos separa deles. Enquanto dura seu encanto, o único ‘entre’ que pode inserir-se no meio de dois amantes é a criança, o próprio produto do amor. A criança, esse ‘entre’ com que os amantes agora estão relacionados e mantêm em comum, é representativa do mundo onde ela também os separa; é uma indicação de que eles inserirão um novo mundo no mundo existente. Por meio da criança, é como se os amantes retornassem ao mundo do qual seu amor os expeliu. Mas essa nova mundanidade, resultado e único final possíveis de um caso de amor, é, num certo sentido, o final de um amor, que deve superar novamente os padrões ou ser transformado em outro modo de estar juntos. O amor por sua natureza não é mundano, e é por isso — não por raridade — que é não apenas apolítico, mas antipolítico, talvez a mais poderosa de todas as forças antipolíticas humanas."

(Hannah Arendt in: A Con­dição Hu­mana)

25 de maio de 2012

Mysterious Ways





































[Greta Garbo and Conrad Nagel]


"O resto é silêncio." 
(Cena II, Ato V: Hamlet, Shakespeare)


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24 de maio de 2012

What if... You!

"What if sometimes there is no choice about what to love? What if the temple comes to Mohammed? What if you just love? without deciding? You just do: you see her and in that instant are lost to sober account-keeping and cannot choose but to love?"

(David Foster Wallace in: Infinite Jest)

23 de maio de 2012

O monólogo (tradução I)

(Bloom: 2003)


adoro flores
adoraria ter a casa toda nadando em rosas
meu Deus do céu
não tem nada no mundo como a natureza
as montanhas selvagens
depois o mar as ondas em tropel
e depois a beleza do campo as plantações de aveia e trigo
os animais pra cá pra lá tão bonitos
deve fazer bem à alma isso
ver os rios os lagos e as flores
e formas de todos os jeitos e cheiros
e cores saltando de tudo até do fosso
primaveras e violetas
é a natureza
e esses que dizem que Deus não existe
não dou nada pela ciência deles
porque não vão e criam alguma coisa
já perguntei pra ele tantas vezes
ateus ou sei lá como se chamam
primeiro que tratem de lavar sua sujeira
depois mandam chamar o padre aos berros
quando vão morrer
e por quê
por quê
porque tem pavor do inferno por causa da consciência pesada
ah sim
conheço bem esses
quem foi a primeira pessoa do universo
antes que existisse qualquer outra
quem fez tudo isso
quem
ah isso eles não sabem
e nem eu sei
pois é
eles podiam proibir o sol de nascer amanhã de manhã
o sol brilha é por tua causa
ele me disse no dia em que deitamos sobre os rododendros
no promontório de Howth
com se terno cinza e chapéu de palha
no dia em que fiz ele falar de casamento
foi
antes lhe passei com a boca um pedaço de bolo cheiroso
foi um ano bissexto também
há 16 anos meu Deus
depois daquele beijo que não acaba nunca
que quase me deixou sufocada
sim
ele me disse que eu era uma flor da montanha
sim
é isso mesmo
somos flores completamente
o corpo todo da mulher
sim
tai uma verdade que ele disse na vida
hoje o sol brilha por tua causa
sim
foi por isso que eu gostei dele
porque vi que ele entendia
ou sentia o que é uma mulher
e eu sabia que podia fazer dele o que eu quisesse
e fui dando a ele todo prazer que eu podia
para obrigá-lo a me pedir pra dizer sim
e eu não queria dizer logo
e fiquei só olhando para o mar e o céu
e pensando muitas coisas de que ele não sabia
em Mulvey e Mr. Stanhope e Hester
no pai
no velho Capitão Groves
nos marinheiros que brincavam de carniça e lava prato
assim diziam lá no cais
e no sentinela na frente da casa do governador
com aquela coisa em volta do capacete branco
pobre diabo meio assado
e as moças espanholas rindo com seus xales seus pentes altos
e os leilões de manhã
os gregos os judeus os árabes
e o diabo sabe lá quem mais
de todos os cantos da Europa
e Duke Street
e a feira de aves cacarejando defronte Larby Sharon
os burrinhos coitados que tropeçavam morrendo de sono
e uns sujeitos vagos com seus mantos dormindo nos degraus
na sombra
e as rodas enormes dos carros de touros
e o castelo de milhares de anos
sim
e aqueles mouros lindos de branco e turbante
como reis
pedindo a gente pra sentar em suas lojinhas de nada
e Ronda com as velhas janelas das posadas
olhos faiscando atrás da rótula
para o namorado beijar a treliça
e as tabernas meio abertas durante a noite
e as castanholas
e a noite em que perdemos o navio para Algeciras
o vigia que fazia a ronda sereno com sua lanterna
e oh essa horrível corrente lá no fundo
oh
e o mar
o mar às vezes escarlate como fogo
e o por-do -sol maravilhoso
as figueiras nos jardins da Alameda
sim
e todas aquelas ruazinhas engraçadas
as casas cor de rosa azul amarelas
e os jasmins os gerânios os cactos
e Gibraltar quando eu era mocinha
uma Flor da montanha
sim
quando pus a rosa como faziam as andaluzas
sim vou usar um vestido vermelho
e como ele me beijou debaixo da muralha mourisca
e eu pensei afinal tanto faz ele como qualquer outro
e então eu pedi a ele com os olhos pra pedir outra vez
sim
e então ele me perguntou se eu queria
sim
dizer sim
minha flor da montanha
e primeiro eu passei o braço
sim
e puxei ele pra mim para que sentisse meus seios perfumadíssimos
sim
e o coração dele batia feito louco
e sim
eu disse sim
eu quero muito
Sim.


(Molly Bloom: Ulysses, James Joyce; traduzido por Paulo Mendes Campos)

17 de maio de 2012

Lembra-te



















[Au Hasard Balthazar] 

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

(Mário Cesariny in: Pena Capital)

16 de maio de 2012

O Amor, Meu Amor

[Tristan & Isolde] 

Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.

(Mia Couto in: Idades Cidades Divindades)

11 de maio de 2012

Como una luna en el agua





Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.


*


Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.


Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.


Julio Cortázar in: Rayuela, capítulo 7. 
(Tradução de Fernando de Castro Ferro)

7 de maio de 2012

já vi mendigos demais com os olhos vidrados bebendo vinho barato debaixo da ponte

você se senta comigo
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.

(Bukowski)

23 de abril de 2012

Você quer?








[Al Williamson]



Eu quero uma mulher de aço
que seja leve como a pena,
cujo sorriso seja um laço
a me prender como um poema.
Eu quero uma mulher madura
a me guiar durante o dia,
quando for noite ser vadia
a me domar sem armadura
e a me tomar como num sonho,
uma mulher que seja a lua
dentro do sol em que me ponho.
Eu quero uma mulher de ferro
com um aplauso pra quando acerto
e um perdão pra quando erro,
como alguém que seja o brilho
dentro do escuro em que me encerro.
Uma mulher que seja plena
uma amante de verdade
que seja motivo de lembrança
e um intervalo na saudade
que, diurna, me cuida,
mas que, noturna me invade.
Eu quero uma mulher-mãe
que seja vinho, cerveja,
refrigerante, champanhe,
que me entenda se viajo
e se fico me acompanhe.
Eu quero uma mulher toda
que me edifique como homem
e algo depois me exploda.


(Pio Vargas in: A mulher que eu quero)


[Billie Holiday - The man I love]

17 de abril de 2012

O peso do mundo





































[Pandora's Box - Warwick Goble]

O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação


o peso
o peso que carregamos
é o amor.


Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -


sai para fora do coração
ardendo de pureza -


pois o fardo da vida
é o amor,


mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.


Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo
quando negado:


o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.


Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -


sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.

(Allen Ginsberg in: Canção)

14 de abril de 2012

The book of longing



I can't make the hills
The system is shot
I'm living on pills
For which I thank G-d

I followed the course
From chaos to art
Desire the horse
Depression the cart

I sailed like a swan
I sank like a rock
But time is long gone
Past my laughing stock

My page was too white
My ink was too thin
The day wouldn't write
What the night pencilled in

My animal howls
My angel's upset
But I'm not allowed
A trace of regret

For someone will use
What I couldn't be
My heart will be hers
Impersonally

She'll step on the path
She'll see what I mean
My will cut in half
And freedom between

For less than a second
Our lives will collide
The endless suspended
The door open wide

Then she will be born
To someone like you
What no one has done
She'll continue to do

I know she is coming
I know she will look
And that is the longing
And this is the book.

(Leonard Cohen)

5 de abril de 2012

LUTO (...)

Quando a morte cai sobre as pessoas
é porque tem as asas cansadas
de dar voltas ao mundo.

Escolhe, hesitante, um dos seus cantores.
Escolhe quem, matinalmente, se cumprimenta.

A morte um dia esquece e desce
sobre os mesmos reverentes.

Esqueceu tudo o que dissera.
Ou fingiu que esqueceu tudo.

Alguém parou misteriosamente de falar.

E o silêncio quer dizer: “Acabou tudo.”
Quer dizer: “venham comigo até aquelas grutas!”

Agora finjam que estão velhos.
E que ninguém está nada triste.

Olhem para as vossas pernas,
não há pernas!

Nem mãos,
excepto para tocar em coisas indescritíveis.

As crianças que morriam.

Vou viver para a neve com os meus filhos
mergulhar nos rios soturnos e profundos
em segundos.

Por entre as algas e os peixes que prendiam
os braços das crianças que agarravam
os polvos misteriosos que ensinavam
a nadar os que mereciam.
Se a mim viesse algum dos mortos que ensinasse
a morrer a quem vivesse
a nadar a quem andasse
a dormir a quem falasse

Sem parar.

Imitaria a vida que vivesse
esse monstro que ensinasse

Que morresse.

Que matasse.

Sem matar.


(António Ladeira in: A minha cor favorita é a neve)

23 de fevereiro de 2012

The Harlot's House































[Dracula - Anne Yvonne Gilbert]

We caught the tread of dancing feet,
We loitered down the moonlit street,
And stopped beneath the harlot's house.

Inside, above the din and fray,
We heard the loud musicians play
The "Treues Liebes Herz" of Strauss.

Like strange mechanical grotesques,
Making fantastic arabesques,
The shadows raced across the blind.

We watched the ghostly dancers spin
To sound of horn and violin,
Like black leaves wheeling in the wind.

Like wire-pulled automatons,
Slim silhouetted skeletons
Went sidling through the slow quadrille.

They took each other by the hand,
And danced a stately saraband;
Their laughter echoed thin and shrill.

Sometimes a clockwork puppet pressed
A phantom lover to her breast,
Sometimes they seemed to try to sing.

Sometimes a horrible marionette
Came out, and smoked its cigarette
Upon the steps like a live thing.

Then, turning to my love, I said,
"The dead are dancing with the dead,
The dust is whirling with the dust."

But she - she heard the violin,
And left my side and entered in:
Love passed into the house of lust.

Then suddenly the tune went false,
The dancers wearied of the waltz,
The shadows ceased to wheel and whirl.

And down the long and silent street,
The dawn, with silver-sandaled feet,
Crept like a frightened girl.

(Oscar Wilde)

I Am Vertical





































[Art: Alessandro Gottardo]

But I would rather be horizontal.
I am not a tree with my root in the soil
Sucking up minerals and motherly love
So that each March I may gleam into leaf,
Nor am I the beauty of a garden bed
Attracting my share of Ahs and spectacularly painted,
Unknowing I must soon unpetal.
Compared with me, a tree is immortal
And a flower-head not tall, but more startling,
And I want the one's longevity and the other's daring.

Tonight, in the infinitesimal light of the stars,
The trees and the flowers have been strewing their cool odors.
I walk among them, but none of them are noticing.
Sometimes I think that when I am sleeping
I must most perfectly resemble them --
Thoughts gone dim.
It is more natural to me, lying down.
Then the sky and I are in open conversation,
And I shall be useful when I lie down finally:
Then the trees may touch me for once, and the flowers have time for me.

(Sylvia Plath)

Eternity ✡





































[Foto tirada por mim - Jüdisches Museum Frankfurt]

If I do not hail
From the lands of the living
Why eternal life
Craves my soul?

Had I not been extracted
From the hills of undeath
Why in the valley of the ephemeral
Do I as a stranger traverse?

Had I not been quarried
From eternity's rock
Why against my mortality
Does my spirit rebel
The decree of my end
Do I daily defy?

Why not
As a withered bloom
As a beast of field
Whose time has come
Meek and tranquil
Do I bow my head
And cease?

(Zvi Yair)

Exercise



































[Foto tirada por mim: Frankfurt, 2012]

First forget what time it is
for an hour
do it regularly every day

then forget what day of the week it is
do this regularly for a week
then forget what country you are in
and practice doing it in company
for a week
then do them together
for a week
with as few breaks as possible

follow these by forgetting how to add
or to subtract
it makes no difference
you can change them around
after a week
both will help you later
to forget how to count

forget how to count
starting with your own age
starting with how to count backward
starting with even numbers
starting with Roman numerals
starting with fractions of Roman numerals
starting with the old calendar
going on to the old alphabet
going on to the alphabet
until everything is continuous again

go on to forgetting elements
starting with water
proceeding to earth
rising in fire

forget fire


***

Primeiro esquece que horas são
por uma hora
faz isto regularmente todos os dias

depois esquece em que dia da semana estás
faz isto regularmente por uma semana
depois esquece em que país estás
e pratica esta acção acompanhado
por uma semana
depois faz as duas coisas juntas
por uma semana
com tão poucas interrupções quanto possível

em seguida esquece como se adiciona
ou como se subtrai
tanto faz
podes substituir uma acção por outra
passada uma semana
ambas te ajudarão
mais tarde
a esquecer como contar

esquece como contar
a começar pela tua própria idade
a começar por como se conta para trás
a começar pelos números pares
a começar pelos números romanos

a começar pelas fracções de números romanos
a começar pelo antigo calendário
seguido do velho alfabeto
seguido do alfabeto
até ser tudo contínuo outra vez

passa então ao esquecimento dos elementos
a começar pela água
logo depois a terra
a crescer em fogo

esquece o fogo


W.S. Merwin
(translated by António Ladeira)